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outubro 07, 2009

SOMENTE REFLEXÕES

Imagem Google
Hoje ao passar por um blog li um belo texto que me chamou atenção, e que tem sido motivo de grande reflexão para mim, me fazendo pensar e repensar atitudes, ao me ver dentro daquele contexto, e mais que isso, a ver que a maioria das pessoas agem da mesma maneira deixando que o medo nos paralise a ponto de paramos no meio do caminho, não sabendo ao certo qual a direção tomar para seguir adiante, algumas até mesmo deixando de serem felizes por não abrirem mão daquele tão conhecido sentimento de comodidade, e de suas tantas verdades.

Abrimos mão dos nossos sonhos por medo do novo, do desconhecido. Ousar chega a ser um verbo proibido, afinal, sair da segurança do seu ninho é perigoso, abrir mão do que se tem em nome de qualquer outro sentimento que não seja o de se sentir seguro, é considerado por uns como um verdadeiro ato de loucura. Nos cobrimos de indiferença e egoísmo para não ver que nós mesmos e até mesmo a vida, pede algo muito além do que estamos dispostos a dar. É mais fácil fingir que não vemos as necessidades dos outros, não somente a falta do que é material, mas especialmente a falta daquilo que é indispensável: O alimento da alma.

Entretanto, é preciso dizer não ao medo e a insegurança, o novo é um ilustre desconhecido... É preciso acreditar mais em si mesmo. É preciso ter fé e coragem para viver o que a vida nos dá de presente, mesmo que as adversidades apareçam é preciso seguir adiante buscando soluções por nós mesmos, certos do nosso crescimento no decorrer desse caminho, sendo mais felizes e fazendo os outros mais felizes também...

Temos que dizer mais "sins" do que "nãos", precisamos reaprender a se emocionar com uma velha canção; A tirar de momentos simples e até rotineiros a alegria por estar junto de quem se ama e a fazer disso um grande acontecimento todos os dias...É preciso olhar as estrelas e até mesmo tentar tocá-las. É preciso olhar nos olhos do outro e dizer o quanto o ama...Não ter medo de demonstrar sentimentos e fazer isso constantemente...se doar sem esperar retribuição. É preciso fazer as mudanças necessárias buscando a felicidade e o bem estar sempre.

Acredito que é preciso continuar caminhando, mesmo que os pés estejam machucados, cansados dessa jornada, acreditando que logo ali adiante vou encontrar um lugar onde eu possa me sentar, tirar os meus sapatos sujos e já esfarrapados para descansar um pouco, e ao olhar para frente ter a alegria de poder admirar a paisagem.
" Urgentemente "
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade.
Alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas, rios e
manhãs claras.
Caí o silêncio impuro nos ombros,
e a luz impura, até doer.
É urgente o amor.
É urgente permanecer.
- Eugênio de Andrade -

setembro 16, 2009

POESIA APENAS...



Vim para dizer uma palavra e devo dizê-la agora. Mas se a morte me impedir, ela será dita pelo amanhã, porque o amanhã nunca deixa segredos no livro da Eternidade. Vim para viver na glória do Amor e na luz da Beleza, que são reflexos de Deus.

Estou aqui, vivendo, e não me podem extrair o usufruto da vida porque, através da minha palavra atuante, sobreviverei mesmo após a morte. Vim aqui para ser por todos e com todos, e o que faço hoje na minha solidão ecoará amanhã entre todos os homens.

O que digo hoje com apenas meu coração será dito amanhã por milhares de corações.

~ Gibran Kahlil Gibran ~


Em dias em que as palavras estão secas e que os sentimentos já não calam os corações , deixando um vazio muito grande e infinito que doí na alma, uma busca incessante por algo que já se perdeu simplesmente como o vento que passa e não volta mais...Em dias assim, em que tudo que se quer é falar, ler, e sentir o amor e a esperança, eu escrevo sobre Kahlil Gibran o poeta que como poucos deixou para o mundo muito mais que poesia, deixou amor, paz, esperanças e sabedoria.

Seu nome completo é Gibran Khalil Gibran nasceu no Líbano no final do século XIX, terra então dominada pelo Império Turco Otomano, há milênios conturbada e há milênios preocupada com o fenômeno filosófico e religioso. Com o crescimento do perigo fascista para a região, lá conhecido como “sionismo”, mudou-se para os EUA, ali radicando-se desde o início do século passado e tornando-se uma das principais referências intelectuais para o conhecimento da alma do povo muçulmano, druso, maronita ou cristão ortodoxo em geral, libaneses em particular. Em uma opinião particular, os escritos de Gibran trazem sempre alguma mensagem importante para nós, algo que nos marca o horizonte existencial por toda uma (ou mais) existências. A obra de Khalil Gibran é uma homenagem à devoção pelo belo e pela arte, que Gibran soube tão bem nos transmitir...

Eu estou vivo como você. E de pé a seu lado.
Feche os olhos e olhe ao redor, e me verá
.

Ele escreveu coisas maravilhosas, e sua literatura e arte ímpares espalharam-se, traduzidas por mais de 30 países. Gibran manteve sempre seu sublime e independente culto ao espírito e aos ditames da ética.


– Gibran Kahlil Gibran, em 1896, com 13 anos.


Para aqueles que o lêem pela primeira vez, pode-se acentuar que ele combina as mais elevadas e vívidas percepções da realidade espiritual com uma poesia adornada e absolutamente individual.

Sua originalidade e poder conquistaram a admiração e até mesmo o fervor de milhões de leitores, em dezenas de línguas. Gibran também conquista quase igual reputação como pintor. Seus desenhos e pinturas eram expostos periodicamente pelas metrópoles mundiais. Quando o grande Rodin quis que lhe pintassem o retrato, Gibran, que era comparado a ele e a William Blake, foi o artista escolhido.

No mundo ocidental, esse poeta, filósofo e artista chegou a ser chamado de "o Dante do século XX". Para seus admiradores do Oriente Médio, ele é o Amado Mestre.

Gibran morreu em 10 de abril de 1931, no Hospital São Vicente, em Nova York, no decorrer de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente.

E com a palavra, o Grande Poeta...

~ Os Filhos ~
(Do Livro "O Profeta")

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."

E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo

__________

Ninguém é capaz de conviver sozinho com a beleza que é capaz de perceber. E quanto a nós, que buscamos o Absoluto, e que construímos um jardim usando a nossa propria solidão, a Vida nos deixou a imensa paixão para aproveitar cada instante,com toda a intensidade.

- Gibran Kahlil Gibran -

- 1883 - 1931 -

Fonte de Pesquisa: Star News Kahlil Gibran

Cultura Brasil

setembro 01, 2009

A 70 ANOS ATRÁS

Foto: Wikipédia

..." A decisão de qualquer guerra nem sempre deve ser considerada como um caso absoluto: Muitas vezes o Estado vencido vê na sua derrota um mal transitório, a que as circunstâncias políticas ulteriores poderão fornecer um remédio"...
- Clausewitz -

A 70 anos atrás o mundo assistiu a deflagração da Segunda Guerra Mundial, o conflito mais devastador da história da humanidade no qual ambos os lados cometeram grandes atrocidades como o Holocausto ou o lançamento da bomba atômica.

"Uma morte é uma tragédia, milhões de mortes é uma estatística" dizia o ditador soviético Josef Stalin.

Essa grande catástofre envolveu 72 nações, sendo duas frentes: Os Aliados, capitaneados por EUA, França, Grã-Bretanha e União Soviética; E o Eixo, com Alemanha, Itália - que logo mudou de lado - e o Japão. Foi travada em todos os continentes ( direta ou indiretamente), o número de mortos superou os setenta milhões, um extermínio sem precedentes.

O Tratado de Paz assinado no fim da Primeira Guerra Mundial o " Tratado de Versalhes ", conhecido como uma das causas dessa guerra - deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões perante o mundo. Perdeu territórios ultra-marinos na Europa, os exércitos aliados limitaram perigosamente o Exército e a Marinha alemães. E a Alemanha foi obrigada a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial, o que levou ao rápido colapso da sua moeda e ao grande número de desempregados em massa, uma conjuntura externa caótica e até de desespero, levou Hitler ao poder em 1933. É nesse contexto que o líder alemão de origem austríaca - Fuhrer - do Terceiro Reich, invadiu a Polônia no dia 01 de Setembro de 1939 dando início a grande guerra. Pretendia criar na Europa uma "nova ordem" com base nos príncipios nazistas que defendiam a superioridade germânica na exclusão e posteriormente eliminação física de algumas minorias étnicas e religiosas, como os judeus e os ciganos, assim como deficientes físicos e homosexuais; Na supressão da liberdade e dos direitos individuais, perseguição de ideologias liberais, socialistas e comunistas.

Em uma opinião pessoal, creio que a maior das causas da Segunda Guerra Mundial foi o forte espirito nacionalista alemão usado de maneira muito inteligente por Adolf Hitler e o partido nazista. Entretanto, outros fatores foram também grandes causadores da Segunda Guerra Mundial como o já citado "Tratado de Versalhes " considerado como uma causa de ordem diplomática, e ainda a " Grande Depressão "também conhecida como a "Crise de 1929 "que é considerado como o pior e mais longo período de recessão econômica do século XX. Os efeitos da grande depressão foram sentidos no mundo inteiro e afetaram duramente os EUA e países como a Alemanha, Austrália, França, Itália e Reino Unido. O rompimento do Tratado de Versalhes foi essencial para que a Alemanha recuperasse seu espaço vital, reconquistando assim seus territórios. Em uma visão figurada, causas de origem econômica e política que misturados serviram como ingredientes para o início da segunda guerra mundial, o conflito que mudou o mundo.

A grande guerra terminou oficialmente em outubro de 1945. Os países vencidos reuniram-se em Londres a fim de firmarem as condições de paz. Firmou-se entre eles a divisão da Alemanha, e os nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nuremberg.

A Segunda Guerra Mundial colocou em dúvida os méritos do progresso ao se converter em um campo de teste do homem para a sua própria barbárie, chegando as raias da autodestruição.

E relembrando um grande mestre de História que eu tive, faço minhas as suas palavras:


"Aprendemos e estudamos História para sabermos quem somos".

O passado se distancia da memória, mas certas marcas ficam para sempre...vivas nos fragmentos do passado daqueles que viveram uma época e que vez por outra resurgem como peças de um jogo que já não se sabe como montar...Ou nas páginas impressas já amareladas pelo passar do tempo que tão maravilhosamente nos servem de testemunhas de uma história construída pelos homens e sua insaciável busca pelo poder, e ouso dizer: Por si mesmo.

Fontes de Pesquisa:




O Estado de São Paulo

agosto 21, 2009

O MEU SONHO MAIS BONITO

Foto: Josi Caldas

Mais um dia chega e traz consigo a esperança que se renova com o amanhecer. As velhas marcas se fazem presentes , entretanto, como o dia que nasce, é hora de me renovar e acreditar que o dia de hoje será melhor que o de ontem, e que só tenho motivos para agradecer, sabe o que penso? Às vezes reclamamos demais e não damos valor às grandes bênçãos que recebemos todos os dias, exaltamos o mal por vezes nos preocupando em falar da vida alheia, ou ainda maltratar quem só nos quer bem, deixando de agradecer a Deus pelo amor recebido e a nós dedicado, deixando de ter esperanças, dando lugar a melancolia e toda tristeza que ela traz.

O mundo roda. A vida passa. Envelhecemos e não nos damos conta disso. Alguns ficam perturbados por perder a juventude, a beleza, nem se importam muito com a saúde e a vitalidade. Damos mais valor para as coisas temporárias: o dinheiro, o serviço para cumprir, as tantas e tantas farras... e, de repente, o tempo sumiu e notamos que fomos arrastados juntos, tragados por nossos tantos "compromissos" menos importantes que a vida que passou e nos enterrou a sete palmos da superfície.

Ouso acreditar que essas superfícies nem sempre são de terra. Sem querer ser pessimista, acredito apenas que podem ser de status, elogios falsos, sentimentos obscuros... podem ser representadas por um carro zero, uma casa grande, um casamento de aparências. Ou a nossa ignorância diante daquilo que deveríamos dar valor e não damos. Ou a doença que o tempo atrai e diante da qual nos vitimizamos para justificar ao mundo tudo o que não conseguimos mais ser porque agora somos doentes. Superfícies repletas de medo que nos arrastam em direção contrária àquela que possibilitaria a nossa tão sonhada e desejada felicidade. E outras tantas superfícies nas quais nos enterramos diariamente, aos poucos, e pelas quais morremos em silêncio de angústia e resposta. A resposta que na maioria das vezes nós já conhecemos.

Certas interrogações me acompanham: O que eu sou? O que fiz? O que produzi? Como cheguei até aqui? O que vou deixar quando me for? Será que serei lembrada por alguém? Perguntas que me faço o tempo todo, e a impressão que eu tenho é que essas mesmas perguntas moram dentro de todo ser humano . Não tenho as respostas. Não sei o futuro.

Sempre sonhei um mundo melhor sendo capaz de desenhá-lo entre rabiscos e rascunhos de linhas frágeis e infinitas. Ilusão? Acho que não. Fé na vida, nas pessoas, inocência, ingenuidade, não sei ao certo, e hoje acredito que me perdi um pouco no meio desse emaranhado de emoções que habitam em mim. Queria poder tocar a alma das pessoas, ajudá-las a serem um pouco mais felizes. Queria poder curar as feridas que trazem dentro de si enraizadas que machucam só de serem lembradas, queria poder curar as minhas feridas e jamais perder essa capacidade mágica de sonhar. Fica a dúvida por nunca ter a certeza de quando errei ou quando acertei porque a vida é assim mesmo e nos impõe aceitar o que ela oferece, seja bom ou seja ruim. São sentimentos, e aprendi com a própria vida que sentimentos não passam pela razão, habitam a alma e por eles sei que tanto eu quanto você somos pessoas bem melhores.

No meu sonho mais bonito nossos corações conhecem as dores conjuntas e solitárias de cada um de nós. Sorrimos um para o outro sempre. Erguemos o moral do outro quando um dos dois está abatido. Ou ficamos em silêncio deixando que vertam as lágrimas sem motivo. Afagamos cabelos e emprestamos colo. Amamos um ao outro e respeitamos o mundo em que o outro esteja, ainda que seja o mundo do silêncio para drenar antigas feridas que convém permaneçam sem palavras que as estampem e possam fazê-las sangrar de novo.

No meu sonho mais bonito existe felicidade real, diálogo franco, carinho sentido e um abraço de amigo-irmão todos os dias. Porque o meu sonho mais bonito ultrapassa a fronteira da morte e prossegue além dela e não acaba nunca.

No meu sonho mais bonito vejo você sorrindo e amando porque amar é generoso e bom. Amar é para a vida toda e todas as vidas que a esta se seguirem, como uma estrada infinita, porque o amor é assim, infinito.

No meu sonho mais bonito sentimentos como o amor a bondade, o respeito, a amizade e a delicadeza são tão verdadeiros que podemos até tocá-los e fazem parte do dia a dia de qualquer pessoa. No meu sonho mais bonito a miséria, a fome e tantas diferenças já não existem, assim como o egoísmo e a maldade, e tristeza e a falta de fé e esperanças...

No meu sonho mais bonito o amor e a ternura estão sempre presentes, como estão agora quando escrevo esse texto te ofertando o " Meu sonho mais bonito".

agosto 10, 2009

DAS MUITAS INFIDELIDADES

A quebra da fidelidade conjugal sempre foi tema complexo, algumas vezes tratado aos cochichos, doutras vezes, em tom alto e claro. Porém não me recordo de uma abordagem tão franca quanto aquela feita há algumas semanas pelo jornalístico Globo Repórter. Assisti a depoimentos pessoais francamente assustadores, pessoas que se diziam "casadas" e confessavam manter frequentes relações sexuais fora do casamento, como se vivêssemos em plena era dos Sultões e seus haréns.
Pela primeira vez na vida percebi que eu andava bem certo nas reflexões as quais me dedico desde que me separei no início do século XXI. Diante daquilo que o programa apresentou aos telespectadores, tive a absoluta certeza de que grande parte das relações conjugais são, em verdade, relações marcadas pelo ódio recíproco e longe estão do amor.
Somente uma pessoa que odeie fortemente a outra é capaz de trair e ainda se vangloriar diante das câmeras por fazê-lo.
Apenas uma mulher absolutamente prepotente é capaz de se referir ao "marido" com tamanho desprezo e ainda assim admitir que continuam morando sob o mesmo teto.
O mesmo se aplica ao homem que se orgulha dos muitos casos que mantém fora do casamento, deixando transparecer que considera a "esposa" como um objeto de decoração.
Faz tempo que levantei a bandeira de que relacionamentos dilacerados devem ser interrompidos logo de uma vez. Se a pessoa não é capaz de ser fiel, que pegue a sua mala e ganhe o mundo. Se a pessoa odeia tanto assim ao cônjuge, que pelo menos tenha a dignidade de romper, vez por todas, o laço jurídico, econômico ou psicológico que a aprisiona ao outro.
Relações de ódio não fazem bem algum para quem quer que seja. Consistem em relacionamentos formais e ilusórios que, ao final das contas, só faz mal e muito mal mesmo. Os filhos do casal - se for o caso de terem filhos - não se sentem seguros, não se sentem bem e não são felizes diante do estado de coisas que se não têm certeza ao menos deduzem que existe. Pior que isso: marido e mulher são igualmente infelizes, guardando mágoas um do outro, cultivando ressentimentos mútuos, agredindo e sendo agredidos o tempo todo.
Verdadeiramente perduram apenas aqueles relacionamentos sinceros, profundamente marcados pelo carinho e dedicação, atração sexual e prazer mútuos: espécie de verdadeira adoração que um cônjuge nutre pelo outro.
Relações de amor sobrevivem porque são empolgantes, construtivas, interessantes e caracterizadas pelo profundo envolvimento de suas personagens a tal ponto de não se saber exatamente onde começa a visão de uma e onde termina a visão da outra. Há independência de opiniões, plena liberdade de pensamento, mas tudo é motivo de enriquecimento intelectual conjunto porque não existe censura nem segredos, eis que duas pessoas acabam se convertendo em uma: ocupantes dessa imensa máquina chamada amor verdadeiro, primeiro passo para a compreensão daquilo que é o amor divino.
Quem ama de verdade enaltece o ser amado.
Quem ama de verdade compreende as alheias limitações.
Quem ama de verdade ajuda o ser amado a ser feliz.
Quem ama de verdade faz amor porque fazer amor é ótimo e nenhuma "dor de cabeça" é mais importante do que beber na fonte fecunda do amor compartilhado.
Quem ama de verdade não troca a esposa pelos amigos de bebedeira.
Quem ama de verdade se diverte junto com a esposa ou o marido porque quem ama não desagrega nunca: quem ama não segrega o ser amado.
Pensei nisso ao assistir uma reportagem que noticiava a triste realidade de pessoas que não sabem o que é o amor, não se respeitam e não aprenderam o maior segredo sobre a felicidade conjugal: quem ama de verdade ama de fato e demonstra isso o tempo todo em face do prazer que sente por estar usufruindo da companhia do ser amado, por isso não tem necessidade de trair e sabe que trair ao cônjuge significaria trair a si mesmo.

julho 26, 2009

MARCAS NA PELE

Quem sabe a vida na sua eterna arca de sonhos onde permeiam as miragens ou a morte naquele silêncio que dela herdamos... dia ensolarado, noite escura... quem sabe possam explicar o indecifrável código cifrado do universo amoroso: laços de relacionamento que se propagam no tempo, acendem e apagam, risos e choros, constroem e destroem, semeiam e colhem, aquecem e esfriam, abraçam e distanciam, assim sem mais nem menos, sendo apenas aquilo que é.
Quem sabe o poeta na sua incontida alma angustiada com tanta rima sem fonema, traços transbordantes de emoção sem cor, palavras pescadas em pleno universo de sonhos encruados pela realidade, coração partido pelos amores rasgados que se foram, cérebro gemendo de dor na noite calma que precedeu ao incendiário rubor dos lençóis emaranhados... tão grudados um no outro que não se poderia dizer onde ele começava, onde ela terminaria, até que, meio segundo antes do amanhecer, sentiu-se tão solitário quanto sua poesia sem forma, sem cor, sem fantasia, formoso conjunto de vocábulos que palavra alguma poderia dizer.
Quem sabe o artista na sua fome de vida pincelada em tela branca, na tresloucada ânsia de traduzir o que sente, na vontade de conter a cena plástica enquadrando-a ou moldando-a como se fosse capaz de criar o que não viu, plasmando sentimentos em nuances de tonalidades diversas, buscando na forma o interior conteúdo, imitando o Criador ao construir na tela o mesmo mundo que aquele fez como se retratar se assemelhasse a criar, como se criar pudesse explicar o incompreensível sentimento que não o deixa dormir.
Quem sabe o médico que apenas identifica os sintomas. Já viu outros casos semelhantes e até se preocupou em catalogá-los. Resumiu assim: "Relacionamento amoroso é semelhante a varíola. Surge quando menos se espera. Progride de modo acelerado. É provável que o paciente sobreviva a ele, todavia, as marcas permanecerão na pele".
Ou não.
Quem sabe toda teoria amorosa não passe de teoria.
Quem sabe talvez baste se entregar, deixar fluir como o rio caudoloso que atravessa cidades e estados.
Quem sabe a resposta esteja nessa sensação de paz, alegria, harmonia, felicidade... independente do que ocorre à nossa volta, simplesmente fluindo como a vida deve sempre fluir, atravessando a vida, sobrevivendo à morte, inspirando rimas fonéticas ou não, criando obras de arte que seja ou não esteticamente artistica, tecendo teorias concretas para explicar abstrações emocionais, possibilitando que nessa versátil miscelânia de nós mesmos com outra pessoa possamos encontrar nem tanto o que somos mas, quem sabe, alguma felicidade que nos complete com tão grandes esperanças que nossas eventuais marcas na pele tão somente tenham cor, forma e sabor de amor.

julho 14, 2009

DIOCLECIANO

O sol fecundo fazendo da terra brotar o fruto da semente. Mãos laboriosas revirando o solo. Cavoucando. Dia colorindo o suor que escorre pelas faces. Longas horas separam a dura realidade do sonho de estar ao lado da sua amada. Diocleciano sente um aperto no peito. Recorda a noite daquele outro dia. Espreita os próprios pensamentos. Aguarda. Enxada é sua companheira de antanho. É com ela que rasga o solo até estrangular o árido, até verter água pelas veias da terra, até saciar a sede do planalto. Tudo tão reto e estranho aos seus olhos. O horizonte é miragem que fascina. Árvores secas. Terra áspera. Espécie de sentimento de gente que a planta transpira. É mundo. É tudo. É simplesmente nada. Pessoas dependem dele. E de muita água. Falta água ou vida. A tarde cai como um zumbi sobre o seu túmulo silencioso. Nem todas as suas dores são reais. Sofre apenas. O peso da enxada se multiplica ao impulso do abatimento físico. Expurga do seu ser cada milímetro de mazela. É sonho que escorre em forma de vida que se foi. Custa-lhe contemplar aquele deserto. Se a seca tem cura ele desconhece qual seja. Secura que pode ser extinta só mesmo a do homem pela sua amada. Pouco antes do poente, ajeita a enxada sobre o ombro enquanto o lenço recolhe o suor da testa cansada. Caminha lentamente. Dentro do barraco que desponta na distância, Diocleciano sabe que ela o espera. No final do dia, acomodado a mesa do jantar, ele vê o seu futuro, presente e passado. Mergulha naquele olhar compreensivo. Permite que acaricie a sua mão calejada enquanto conta as novidades do dia sem nada de novo. Deliciosa sensação de alívio invade o seu peito e a alegria furta o lugar do desânimo. É então que a sua vida volta a ter sentido.

julho 08, 2009

BOLA OU BONECA

Na velocidade do relâmpago a bola ou a boneca ocupam lugar no vasto território das lembranças. Ali acolhidas pelas tantas coisas que deixaram de ser prioridade porque cederam espaço para compromissos, emoções, direitos, deveres, sonhos e ilusões.

Assim preteridas pela esperança de futuro melhor, bola e boneca restaram olvidadas num canto qualquer do longínguo passado daquilo que um dia fomos.


Então crescemos saltando diretamente do pretérito para o futuro, imensamente gratos por fazer a barba ou depilar as pernas, repletos de sonhos de prosperidade, desesperados pelo sucesso, carentes de afeto, ansiosos por constituir fortuna, família e glória.


Tanto é assim que marcamos presença adquirindo espaço próprio, amealhando conquistas, acumulando vitórias e frustrações enquanto testemunhamos fios de cabelo que caem ou embranquecem.


Tudo isso para num desses tantos domingos desprovidos de sol, num tempo qualquer de um futuro em que pouco se nos dá se fizemos a barba ou depilamos as pernas, ouvindo o som distante da TV que deixou de merecer nossa exclusiva atenção tanto quanto tantas outras coisas menos importantes que perderam a graça original, muito mal acomodados na poltrona em que cultivamos nossas dores lombares, entre encimesmados e melancólicos por conta daqueles tempos que se recusam a voltar, apenas sentimos uma quase insuportável saudade de bola ou boneca.

É nesse momento que lamentamos a ausência do presente que escorreu por nossos dedos. Simplesmente escorregou assim mesclado de sonhos, fantasias e esperanças de outrora.

junho 10, 2009

BESOURRICES


O velho Chico (nem tão velho assim), numa das suas formidáveis letras:

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã....
Cotidiano.
Rotina que consome a gente por dentro, sugando as entranhas, liquidando a vontade de viver, arriscar, tentar o novo em substituição ao antigo hábito que já se obsoletou por excesso do mesmo uso freneticamente diário. Algo assim de uma dialética menos confusa que a hipocrisia fundou para por odor de perfume novo na idosa flor. Essas rupturas internas, lotadas, que nos consomem sem que se permita que o outro perceba o que de fato somos.
Bons besouros, vamos levando nossas malas de pesado passado, arqueados pela força do vento da vida que pretende nos empurrar sabe-se lá pra onde ou porque, impulsionando nossas diferenças, inconstâncias e incongruências diretamente contra as nossas faces. Faces rasgadas pelos sulcos cavados com o pó do tempo, esta estranha pá da vida que pretende sempre nos afundar algo mais dentro de nós mesmos até fazer emergir aquilo que somos para perceber quanto estamos egocentricamente submersos.
Nem percebemos tanto peso. Apenas carregamos.
Carregamos casamentos falidos.
Carregamos desesperos sentidos.
Carregamos o passado.
Vez por outra até esperamos que a morte nos carregue para longe daqui, longe do dia, longe do frio, longe de tudo, principalmente longe, mas muito longe, de nós mesmos.
Talvez para ser diferente é que a gente tende a fazer tudo sempre igual, apesar de fazê-lo de outro modo, noutra parte, repleto de novas esperanças.
Quem sabe porque nesse tanto de peso algo haja realmente tão nosso, especial e único, que o simples fato de continuar fazendo aquilo que sabemos tenha o condão de nos fazer cada dia mais feliz.
Ou porque somos besouros rebelados contra o sistema.
Ou porque aprendemos a carregar o próprio peso.


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